O que queremos ver em flor: Arméria-do-sado

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Na semana do Dia Internacional do Fascínio das Plantas, que se comemora a 18 de Maio, a Wilder desvenda-lhe as espécies que especialistas no mundo botânico desejam observar. Saiba também o que os fascina e que medidas gostariam de ver aplicadas em Portugal.

Sergio Chozas é membro da Sociedade Portuguesa de Botânica e investigador do cE3c – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, ligado à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. É também um dos organizadores do primeiro Bioblitz da Flora Portuguesa, que se realiza este fim-de-semana, a 22 e 23 de Maio.

Wilder: Que planta gosta de ver a florir no mês de Maio em Portugal?

Sergio Chozas: A arméria-do-sado (Armeria rouyana Daveau), porque é uma das espécies com as quais mais tenho trabalhado, tanto do ponto de vista da conservação como do ponto de vista científico, no meu doutoramento. É muito bonita e endémica das areias da região costeira a sul do Tejo. As maiores populações encontram-se na envolvente do estuário do Sado e aparecem mais pontualmente para sul. Recentemente, foi encontrado um núcleo na zona de Mira (Beira Litoral), o que faz com que esta espécie e a sua história sejam ainda mais interessantes.

Arméria-do-sado (Armeria rouyana Daveau). Fotos: Sérgio Chozas

W: O que é que considera mais fascinante nas plantas?

Sergio Chozas: Tudo, desde a maravilha do desenvolvimento de uma azinheira a partir de uma bolota, ao mosaico de cores das flores do montado, dos “pára-quedas” dos dentes-de-leão (Taraxacum spp.) ao “velcro” das sementes do carrapiço (Medicago polymorpha L.). Gosto da capacidade das plantas de ocorrerem até nos ambientes mais hostis: das estratégias das plantas carnívoras para se alimentarem, dos nenúfares para “boiar”, das plantas suculentas para acumular água nos tecidos… A questão mais directa seria o que não considero fascinante nas plantas.

Arméria-do-sado (Armeria rouyana Daveau). Foto: Sérgio Chozas

W: No que respeita à flora portuguesa, que medidas são hoje mais prioritárias?

Sergio Chozas: Penso que só se respeita, admira e protege aquilo que se conhece, e infelizmente a flora em geral e a portuguesa em particular são umas grandes desconhecidas fora do âmbito científico. De facto, foi criado o termo “plant blindness” ou “indiferença às plantas” por alguma razão. É verdade que o desenvolvimento urbano e de infraestruturas, assim como a intensificação agrícola, foram identificadas como as maiores ameaças para as plantas portuguesas pela Lista Vermelha da Flora. No entanto, acho que aumentando a “literacia botânica” o impacto destas ameaças seria menor, porque nós, como sociedade, não estaríamos dispostos a perder estes valores naturais.


Agora é a sua vez.

Participe no Bioblitz da Flora Portuguesa, no fim-de-semana de 22 e 23 de Maio, e descubra estas sete espécies em flor e muitas mais.

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.