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Que espécie é esta: É normal os plátanos estarem a perder folhas?

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Nestes dias de onda de calor o Outono pareceu estar de regresso, à medida que as folhas secas dos plátanos se amontoavam no chão ao lado de tílias, mais pequenas, que se mantinham verdes. A Wilder foi tentar perceber o que se passa. Carine Azevedo, especialista e consultora na área de botânica, responde.

 

É habitual, nos meses de junho a agosto, em épocas de clima mais quente e seco, os plátanos perderem parte das suas folhas.

Um dos motivos para essa queda prematura está relacionado com a falta de água disponível para as árvores. Na maioria das vezes estas árvores crescem sob um pavimento quente, como calçadas, que retém o calor e impedem, no caso em que as árvores são regadas, que a água seja absorvida pelo solo e se torne disponível às raízes da árvore. As caldeiras são na generalidade das vezes insuficientes em tamanho, já que as raízes vão muito além dessas dimensões.

Uma árvore de grande porte, seja ela qual for, não tem muitas raízes ao redor do tronco, então regar apenas na caldeira não vai saciar sua “sede”. As raízes podem estender-se por muitos metros, portanto, apenas uma rega profunda ajudará a árvore a adquirir humidade necessária para se manter saudável.

Se a árvore passar longos períodos de seca, é importante saber que a recuperação levará algum tempo, mesmo que comece a ser regada imediatamente. As folhas continuarão a cair, porque muitas dessas folhas terão sofrido danos internos irreparáveis e apenas as folhas com danos celulares menores é que irão ter a possibilidade de recuperação.

Transpirar menos

A queda prematura das folhas também está muitas vezes associada ao excesso de folhas que foram formadas na primavera e que, na mesma lógica do que foi mencionado anteriormente, nos períodos mais críticos começam a cair, ajudando a árvore a conservar mais água e nutrientes. Sem folhas, os plátanos reduzem a sua atividade celular, transpiram menos, logo libertam menos água.

As pragas ou doenças também podem ser responsáveis pela perda precoce de folhas. Neste caso, é fundamental, numa primeira fase, avaliar os sintomas e sinais visíveis, para que se possa fazer uma avaliação do estado fitossanitário da árvore, para concluir qual foi a principal causa desta queda prematura.

Este ano, em particular, esta situação também se começa a verificar com outras espécies de árvores, o que não é tão comum, e poderá sem dúvidas estar relacionado com a situação de seca generalizada que estamos a atravessar um pouco por todo o território continental.

 


Carine Azevedo é Mestre em Biodiversidade e Biotecnologia Vegetal, com Licenciatura em Engenharia dos Recursos Florestais. Faz consultoria na gestão de património vegetal ao nível da reabilitação, conservação e segurança de espécies vegetais e de avaliação fitossanitária e de risco. Dedica-se também à comunicação de ciência para partilhar os pormenores fantásticos da vida das plantas. 

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