Sara Duque. Foto: DR

Retrato de um voluntário pela natureza: Sara Duque

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Residente no concelho de Machico, ilha da Madeira, Sara Duque tem 50 anos e trabalha como distribuidora dos CTT. Uma das vantagens do voluntariado? “A boa sensação de fazer algo em prol da conservação das espécies e da natureza”, diz.

WILDER: O que faz enquanto voluntária?

Sara Duque: Participo em projectos de ciência-cidadã organizados pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA). Actualmente, participo no Censo das Mantas e  no Censo de Aves Comuns

W: Há quanto tempo é voluntária pela natureza e o que a levou a começar a participar?

Sara Duque: Comecei a participar como voluntária no ano passado, no Censo das Mantas e  no Censo de Aves Comuns. Na altura, a minha experiência na identificação de aves era limitada, mas achei que seria uma boa forma de ganhar experiência e conhecimento na observação de aves, ao mesmo tempo que contribuía para estes projectos de âmbito nacional e regional e de grande importância para a conservação da nossa avifauna.

W: Quais são os maiores desafios dos censos de aves em que participa?

Sara Duque: Os maiores desafios são a minha capacidade visual e auditiva para identificar as aves. Mas reconhecer as aves pelo canto, por ser um desafio mais recente, é bem mais difícil para mim. Efectivamente, pelo canto conseguimos detectar muitas mais espécies de aves; mas para quem está a iniciar-se, são momentos silenciosos interrompidos por distintas e belas melodias que ecoam nos nossos ouvidos, nos quais queremos identificar os seus artistas.

Foto: Sara Duque

W: Quando começou o seu interesse pelas aves?

Sara Duque: Comecei a interessar-me pela observação de aves há cerca de cinco anos, quando por acaso observei com a minha filha um francelho perto de casa. Foi um acordar para o mundo das aves, para mim e para ela. Há dois anos ofereci-lhe o Guia de Aves de Portugal e Europa e a partir daí começaram as saídas e passeios mais frequentes em família, para identificar as aves da minha região e outras que por cá passam.

W: Porque considera as aves tão especiais?

Sara Duque: É algo difícil de explicar, mas o entusiasmo sempre que vemos ou ouvimos uma ave é algo de extraordinário. São animais que conseguem voar, que se orientam pelo céu, têm diferentes tamanhos, cores, vocalizações e comportamentos, existem em todo o lado. E para quem está atento, é fácil observá-las.

W: Como aprendeu a identificar estas espécies?

Sara Duque: Comecei pela observação de aves no terreno, comparando-as com a informação e imagens disponíveis através da pesquisa em livros e artigos sobre aves, assim como através dos vários sites disponíveis na internet (Ebird, Aves de Portugal, SPEA…). Mais recentemente, também participei nalguns webinars que me ajudaram a compreender e a melhorar o meu conhecimento sobre as aves.

Foto: Sara Duque

W: O que tem aprendido e o que tem ganho com esta experiência de voluntariado? 

Sara Duque: Tenho desenvolvido o meu conhecimento relacionado com a identificação das aves e com a percepção do mundo natural que me rodeia. E tenho ainda a boa sensação de fazer algo em prol da conservação das espécies e da natureza.

W: Costuma participar nos censos sozinha, acompanhada ou em grupo? E porquê?

Sara Duque: Na maior parte das vezes participo acompanhada pela filha e marido, porque são ainda poucas as pessoas que conheço que se interessam pelo conhecimento e conservação de aves.


Saiba mais.

Descubra mais sobre as contagens de aves e sobre outras acções de voluntariado ligadas à SPEA que neste momento estão em curso, aqui.


Conte as Aves que Contam Consigo

A série Conte as Aves que Contam Consigo insere-se no projeto “Ciência Cidadã – envolver voluntários na monitorização das populações de aves”, dinamizado pela SPEA em parceria com a Wilder – Rewilding your days e o Norwegian Institute for Nature Research (NINA) e financiado pelo Programa Cidadãos Ativos/Active Citizens Fund (EEAGrants), um fundo constituído por recursos públicos da Islândia, Liechtenstein e Noruega e gerido em Portugal pela Fundação Calouste Gulbenkian, em consórcio com a Fundação Bissaya Barreto.

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa dos meus pais. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.