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O que procurar no Outono: os castanheiros

Castanheiros. Foto: Jean-Pol Grandmont/WikiCommons

Chegou o outono e os primeiros dias de frio já se fazem sentir. As plantas começam a preparar-se para o inverno, mas o que andam elas a fazer?

Para muitas, esta é a altura em que iniciam um processo de repouso vegetativo longo, só voltando a despertar na primavera. Mas outras há que estão ainda em plena atividade.

Para o Castanheiro (Castanea sativa), por exemplo, o outono significa estação da colheita. As flores perfumadas que se formaram entre abril e junho deram origem aos frutos, que amadureceram e abriram, libertando as sementes. É entre o final de setembro e novembro, que se faz a colheita das castanhas. 

Castanhas. Foto: Bohringer Friedrich/WikiCommons

Mas atenção, a castanha que comemos é, de facto, uma semente que se forma no interior do ouriço –  o invólucro espinhoso que protege a castanha no seu interior – esse sim, o fruto do Castanheiro.

Existem muitos tipos de castanhas mas, no geral, têm todas uma forma arredondada, um tom castanho-avermelhado, cerca de 4 cm de diâmetro e encontram-se em grupos de 2 a 4 em cada ouriço. Um castanheiro de grandes dimensões pode produzir mais de 200 kg de castanha por ano.

Mas vamos conhecer um pouco melhor o Castanheiro. 

O Castanheiro

Sabe-se que o Castanheiro já existia em Portugal bem antes da chegada dos romanos, o que contraria a tese, durante muito tempo afirmada, de que a sua introdução na Península Ibérica terá ocorrido durante a romanização. 

Distribuído um pouco por todo o país, desde as terras frias de Trás-os-Montes, Minho interior, Beiras, Alentejo e Algarve, pode encontrar-se ainda na Ilha da Madeira e nos Açores. 

Pertencente à família das Fagaceae – que engloba outras espécies, como os carvalhos e as faias -, é considerada uma das espécies com maior longevidade, podendo durar vários séculos ou até alcançar uma idade milenar. Pela Europa é possível encontrar alguns exemplares de castanheiros monumentais, quer pelas suas dimensões e imponência quer pela sua longevidade. 

Também em Portugal são conhecidos diversos exemplares monumentais e centenários, que ajudam a fundamentar o tão tradicional e antigo ditado popular “um Castanheiro leva 300 anos a crescer, 300 anos a viver e 300 a morrer”. 

É uma espécie bastante rústica, que dispensa grandes cuidados de cultivo, podendo sobreviver em condições mais ou menos naturais, quase sem intervenção humana. 

Foto: Sabrina St./Pixabay

É uma árvore caducifólia que perde a totalidade das suas folhas na época mais fria, de forma a garantir o armazenamento temporário de água, já que o processo de evaporação das plantas acontece através das folhas.

Pode atingir os 20 a 30 metros de altura e formar copas amplas e frondosas que podem chegar aos 30 a 40 metros de diâmetro. Com o tempo, as árvores mais antigas podem apresentar tronco oco, dando ideia de que estão em mau estado de conservação e até a morrer, mas na verdade ainda têm muito para viver.

Bravo e manso

Existem dois tipos de Castanheiros consoante a forma de regeneração e o tipo de exploração que se pretende. Vamos conhecer um pouco de cada um deles.

O Castanheiro bravo (proveniente de semente), cultivado em alto fuste ou talhadia, está vocacionado para a produção de madeira de alta qualidade e de grandes dimensões. Atinge o seu crescimento máximo por volta dos 50 a 60 anos, altura em que se dá o corte final. Aos povoamentos florestais de Castanheiro bravo, dá-se o nome de Castinçal.

O Castanheiro manso (normalmente enxertado aos 2-4 anos), é utilizado para a produção de fruto. Apresenta um crescimento relativamente rápido até aos 50 a 60 anos de idade, e pode começar a produzir fruto ainda jovem, por volta dos 8 a 10 anos, mas só depois dos 20 anos é que a sua frutificação passa a ser regular. Atingida a idade adulta, o crescimento passa a ser mais lento até ao fim da sua vida. Estes povoamentos florestais de Castanheiro manso, para produção de fruto, designam-se de Soutos.

Uma vida para lá do outono

É também no outono que o frio começa a sentir-se, os dias ficam mais curtos e as noites mais longas, e se dá início a uma série de processos bioquímicos nas folhas que culminam com a mudança gradual das cores.

Foto: Wilder/arquivo

Os tons de verde são gradualmente substituídos por tons de amarelo, dourado e castanho, transformando a paisagem.

Lentamente as árvores despem-se, as folhas caem e cobrem o chão. A árvore entra em repouso vegetativo até à primavera seguinte para dar início a um novo ciclo.