Anémona-verde, Praia das Avencas. Foto: Wilder/arquivo

Saiba como explorar as poças-de-maré da maneira naturalista

Para fazer

A variedade de espécies na zona do intertidal torna-se uma das maiores atracções naturalistas do Verão. Frederico Almada, do ISPA-MARE, sugere como podemos explorar estes mundos em miniatura sem os perturbar.

As anémonas, as estrelas e ouriços-do-mar, as lapas, burriés, beijinhos, mexilhões e percebes, camarões e cabozes são apenas algumas das “estrelas” da zona entre-marés.

“O melhor é satisfazer a nossa curiosidade naturalista a observar, mais do que a mexer”, diz Frederico Almada, investigador do ISPA-MARE (Centro de Ciências do Mar e do Ambiente).

“As zonas entre-marés e as poças de maré são como um puzzle, onde cada peça está ali por alguma razão”, sublinha Frederico Almada. 

Por exemplo, há espécies de cabozes que põem os seus ovos debaixo de rochas. Se levantarmos a rocha onde está um ninho com os minúsculos ovos deste peixe e a deixarmos exposta ao sol, podemos estar a causar, inadvertidamente, a sua destruição, porque os ovos toleram apenas algumas horas fora de água.

O inverso também pode acontecer. Há algas que crescem por cima das rochas e que precisam da luz do Sol. “Se deixarmos as rochas viradas para baixo, estamos a causar perturbação” para estas espécies.

Na opinião de Frederico Almada, “podemos levantar as rochas para vermos o que está por baixo, mas depois temos de voltar a pôr tudo como estava.” 

Há quem vá mais longe e ande de balde à beira mar para recolher os “tesouros” do mundo natural que encontrar, como pequenos peixes e caranguejos.

“Se não conseguirmos resistir de todo, não há nada contra o balde.” Neste caso, avisa, “não nos podemos esquecer de que a temperatura da água dentro do balde vai aumentando e podemos estar a matar os peixes que apanhámos. É melhor substituir a água com frequência”, de preferência com água do mar que está mais fresca do que a das poças.

Igualmente indispensável é devolver os animais à natureza “o mais depressa possível” e “à mesma poça de onde os tirámos”. É que alguns destes peixes são muito territoriais. “Se os pusermos noutra poça, vão para um meio desconhecido, não sabem onde se podem refugiar e podem ser predados mais facilmente por predadores, como as anémonas”.

Acima de tudo, acrescenta, devemos explorar o intertidal com iguais doses de curiosidade e de respeito pela natureza. Isto porque este é um habitat de grande importância e do qual dependem inúmeras espécies, sendo utilizado como zona de abrigo, refúgio e de alimentação.

Actualmente, há três grandes ameaças para as espécies intertidais. “Nós somos uma das maiores ameaças, através do pisoteio e manuseamento” dos animais, sublinha Frederico Almada. “Não devemos guardar tudo no balde e levar para casa!”

Outras ameaças são as espécies exóticas invasoras – como o caranguejo-azul (Callinectes sapidus) e a corvinata-real (Cynoscion regalis), que são predadores vorazes – e as alterações climáticas. Estas importam pela “instabilidade climática que trazem, como tempestades mais intensas ou temperaturas anormalmente elevadas no Verão”, o que torna o ambiente mais incerto. Para estes animais, que já vivem no limite do que conseguem aguentar, faz toda a diferença.