O ilustrador naturalista Marco Nunes Correia abre os seus cadernos de campo e mostra-nos o que o fascina na natureza portuguesa. São desenhos, esboços ou aguarelas onde regista as estações do ano. Uma por semana.

 

 

Este desenho foi feito a 16 de Março de 2018 na Poça do Vau, uma zona alagada, com caniçal e salgueiral, perto da Lagoa de Óbidos, onde nidificam diversas aves como garças-vermelhas, frangos-de-água, colhereiros e garçotes.

Marco Nunes Correia recorda que era “uma manhã soalheira. O caniçal ainda tinha os tons secos do inverno mas dos salgueiros já começavam a despontar as novas folhas”. “Por entre o caniçal seco ouvem-se os frangos-d-água que se preparam para a época de reprodução”, escreveu nas folhas do seu caderno de campo.

“Optei por um esboço direto numa abordagem de mancha, com uma tinta verde diluída em álcool”, explica o ilustrador. Esta tinta verde conseguiu-a assim: “Com uma seringa, retiro um pouco de tinta de um marcador verde, grosso, daqueles de base alcoólica, injeto para dentro de um pincel de água e acabo de encher com álcool, o que lhe confere um tom esmeralda muito claro”.

 

 

“Depois pintei o meio-tom com um pigmento sépia, também diluído, mas com água, e por fim os negros, com tinta-da-china. Estes pigmentos tenho-os previamente preparados em pincéis de água antes de ir para o campo, juntamente com um pincel de água cheio apenas com água, o que me permite diluir os pigmentos diretamente sobre o papel, sempre que achar necessário.”

Por fim acrescentou algumas notas, “relatando o que fui observando e ouvindo ao longo do processo”. Como por exemplo: “No ar, as águias-sapeiras encontram-se já em parada nupcial, de vez em quando havia uma fêmea a vocalizar, chamando a atenção do macho”.

 

Saiba mais.


Marco Nunes Correia, de Alcobaça, é professor na Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha. É membro do Grupo do Risco e especializou-se em desenho de natureza.