Chapim-real (Parus major). Foto: Luc Viatour/Wiki Commons
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Saia para a rua e aprenda a identificar os cantos destas 12 aves

Melros, rouxinóis, chapins. Estamos numa época excelente para ouvir o canto das aves canoras. Descubra como cantam algumas das espécies que se fazem ouvir por estes dias.

Nas ruas da cidade, em parques e jardins, em terrenos agrícolas e em florestas, por estes dias as aves fazem-se ouvir ao longo do dia – ou não estivessem elas em plena época de reprodução. São os machos que defendem territórios e tentam atrair as fêmeas.

À medida que Maio se aproxima, muitas das aves residentes, que permanecem em Portugal todo o ano, já estão a trabalhar para uma segunda postura de ovos, nota Gonçalo Elias, coordenador do portal Aves de Portugal. Entretanto, já chegaram muitas espécies que só cá vêm passar a época de reprodução, “como o cuco-canoro, o papa-figos e o rouxinol”.

E por isso, esta é “uma altura excelente para reconhecermos os cantos das aves canoras”, afirma este ornitólogo. “É um bocadinho como se cada ave falasse uma língua diferente e nós fossemos aprender a reconhecer cada uma dessas línguas.”

Fica então aqui o desafio. Ouça o cantar destas 12 espécies de aves canoras e na próxima vez que sair de casa, esteja atento e tente identificar que “línguas” se estão a ouvir. É viciante.

1. Melro (Turdus merula)

Melro (Turdus merula). Foto: Musicaline/Wiki Commons

Tanto nas cidades como no campo, os machos da espécie, de penugem preta e olhos com uma auréola amarelada, são uma presença comum. Por esta altura, podemos vê-los muitas vezes empoleirados em antenas e telhados, enquanto cantam alto e bom som.

Canto de macho de melro-comum recolhido por GROSSELET Olivier, Xeno-canto

2. Chapim-real (Parus major)

Chapim-real (Parus major). Foto: Luc Viatour/Wiki Commons

Segundo o portal Aves de Portugal, o chapim-real é “relativamente abundante em zonas florestadas de todo o género, desde pinhais e montados até olivais e matas ribeirinhas e também em parques e jardins”. Pode ver-se de norte a sul de Portugal Continental. O canto desta ave pode confundir-se com o do chapim-carvoeiro, que costuma ser mais acelerado.

Canto de macho de chapim-real recolhido por Stein Ø. Nilsen/Xeno-canto

3. Chapim-carvoeiro (Periparus ater)

Chapim-carvoeiro (Periparus ater). Foto: Andreas Eichler/Wiki Commons

Este pequeno chapim também fica por cá todo o ano e pode ver-se especialmente em zonas de pinheiro-bravo, mas também em zonas urbanas. É “localmente comum nas zonas do Litoral Norte e Centro”, adianta o portal Aves de Portugal.

Canto de macho de chapim-carvoeiro recolhido por Jorge Leitão/Xeno-canto

4. Chapim-azul (Cyanistes caeruleus)

Chapim-azul. Foto: Ann/Pixabay

Outra pequena ave da mesma família que o chapim-real e o chapim-carvoeiro, o chapim-azul está presente um pouco por todo o lado em Portugal Continental.

Canto de macho de chapim-azul recolhido por Jacobo Ramil Millarengo/Xeno-canto

5. Tentilhão (Fringilla coelebs)

Tentilhão (Fringilla coelebs). Foto: Andreas Trepte/Wiki Commons

Muito comum em matas e florestas, o tentilhão começa logo a cantar bem cedinho pela manhã, “sendo particularmente comum em alguns locais da metade sul do território.”

Canto de macho de tentilhão recolhido por Francesco Sottile/Xeno-canto

6. Chamariz ou milheirinha (Serinus serinus)

Macho de milheirinha ou chamariz (Serinus seriunus). Foto: Charles J. Sharp

Gonçalo Elias descreve o voo nupcial do chamariz, na época de reprodução, como “semelhante a uma borboleta”. Esta espécie pode ver-se um pouco por todo o lado em Portugal Continental, excepto nas planícies abertas do Baixo Alentejo. O canto é praticamente inconfundível, pois faz lembrar um rádio dessintonizado.

Canto de macho de milheirinha recolhido por Nelson Conceição/Xeno-canto

7. Cuco-canoro (Cuculus canorus)

Cuco-canoro. Foto: Alastair Rae / Wiki Commons

Cu-cu, cu-cu, cu-cu. Nesta época do ano, estas aves estivais em Portugal Continental, onde são sobretudo observados de Março a Julho, já chegaram. O seu canto ouve-se especialmente “em zonas florestadas, perto de galerias rípicolas, nas imediações de pauis, montados, bosques, evitando as zonas de altitude, os matos densos e as zonas fortemente urbanizadas”, explica o portal Aves de Portugal.

Canto de macho de cuco-canoro, recolhido por Olivier SWIFT/Xeno-canto

8. Rouxinol-comum (Luscinia megarhynchos)

Rouxinol. Foto: Jacob Spinks/Wiki Commons

O canto do rouxinol é bastante variado, mas é a melhor forma de identificar esta ave estival, que se faz ouvir sobretudo durante a noite e prefere esconder-se na vegetação. É bastante comum em Portugal, sobretudo no Interior Norte e Centro, Litoral Sul e nalgumas partes do Algarve.

Canto de macho de rouxinol recolhido por Tomas Belka/Xeno-canto

9. Fuinha-dos-juncos (Cisticola juncidis)

Fuinha-dos-juncos. Foto: Francesco Veronesi/Wiki Commons

Pip, pip, pip, pip… A primeira vez que ouvir o canto de um macho de fuinha-dos-juncos, que parece saltitar no ar enquanto voa e canta a um ritmo sempre igual, será dificil esquecer-se de como é. Esta minúscula ave insectívora “é
bastante comum em habitats óptimos, nomeadamente searas, pastagens de erva alta, charnecas e baldios” e “pode ser encontrada com facilidade, mesmo em terrenos abandonados situados em zonas fortemente humanizadas”. É menos comum na maior parte da Beira Alta e no Nordeste Transmontano.

Canto de macho de fuinha-dos-juncos recolhido por Jorge Leitão/Xeno-canto

10. Poupa (Upupa epops)

Poupa. Foto: Wilder/arquivo

Esta ave com uma poupa muito característica é abundante e pode ver-se e ouvir-se sobretudo em zonas florestais pouco densas e próximo de campos agrícolas. No sul de Portugal Continental pode ver-se durante todo o ano, mas na metade norte é mais comum na Primavera e no Verão. O canto lembra um pouco o do cuco.

Canto de poupa, recolhido por Jordi Calvet/Xeno-canto

11. Papa-figos (Oriolus oriolus)

Papa-figos. Foto: Dûrzan/Wiki Commons

Lembra uma ave tropical devido às cores muito vivas, mas na verdade o papa-figos pode ser observado de norte a sul de Portugal Continental, em especial nas zonas do Interior. Gonçalo Elias lembra que chegam a Portugal Continental “no final de Abril” e por aqui ficam até aos primeiros dias de Julho.

Canto de papa-figos, recolhido por Christoph Bock/Xeno-canto

12. Trigueirão (Emberiza calandra)

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Foto: Matthieu Gauvain/Wiki Commons

Esta ave pode ver-se por todo o Portugal Continental, excepto no Litotal Norte e Centro, mas é no Alentejo que é mais comum. “É especialmente numeroso em pastagens, searas, montados abertos e paisagens em mosaico”, descreve o Aves de Portugal. Na Primavera, “os machos repetem o seu canto vezes sem conta.”

Canto de macho de trigueirão recolhido por Frode Falkenberg/Xeno-canto

Saiba mais.

Recorde também estas cinco aves que se podem ouvir em jardins nesta época do ano.

Se quiser aprender mais sobre como distinguir as diferentes espécies, ouça o webinar “Reconhecer as Aves pelo Canto”, no Youtube.

E este sábado, dia 23 de Abril, poderá também assistir a um webinar do especialista Magnus Robb sobre como gravar os sons das aves.

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.