Foto: Quercus

Esta ave rara atropelada foi ajudada a recuperar no CERAS

Com cerca de dois anos de idade, um macho de galeirão-de-crista esteve  internado no CERAS – Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens, em Castelo Branco. A Wilder falou com o coordenador e conta-lhe como foi.

 

Os galeirões-de-crista (Fulica cristata) distinguem-se do galeirão-comum (Fulica atra) por possuírem uma espécie de crista vermelha, explica o portal Aves de Portugal. No país, a observação de aves dessa espécie está sujeita a homologação pelo Comité Português de Raridades, enquanto que em Espanha se têm realizado vários projectos de reintrodução.

Foto: Quercus

Foi precisamente uma ave proveniente de um projecto de reintrodução na Cañada de los Pájaros, na zona de Sevilha, que foi encontrada numa rotunda em Elvas, em Março passado, por uma pessoa que a recolheu e entregou às autoridades. “Não conseguia voar e apresentava algumas lesões e sinais de trauma”, contou à Wilder o coordenador do CERAS – Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens, para onde este galeirão-de-crista foi encaminhado pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

Depois de recuperar do que se desconfia ter sido um atropelamento, a ave foi colocada “numas instalações adaptadas às suas necessidades com a presença de uma massa de  água para que pudesse nadar”, explicou Samuel Infante. Como alimento, no centro em Castelo Branco, deram-lhe aveia germinada e em grão e ainda insectos, incluindo larvas de besouro.

Para evitar que o galeirão ficasse assustado e entrasse em stress, durante o processo de recuperação foi sendo vigiado através de câmaras de vídeo, de forma a “avaliar o seu comportamento e o seu estado para ser devolvido ao meio natural”, descreveu ainda o mesmo responsável.

Finalmente, a ave foi devolvida à natureza passado cerca de um mês, em Abril, na Reserva Natural da Lagoa de Santo André – um local onde já têm sido registadas algumas aves desta espécie e que é considerado um habitat favorável.

Foto: Quercus

Em Portugal, os galeirões-de-crista já não se reproduzem há várias décadas, ao contrário do que sucede em Espanha e em Marrocos, onde estas aves continuam a nidificar. Segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados, publicado em 2005, na altura era conhecida uma pequena população invernante em território português, com menos de 50 aves. Actualmente, na Europa, esta espécie é considerada Criticamente em Perigo de extinção, segundo a Birdlife Internacional.

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.