LPN denuncia “falhas de gestão” no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina

As espécies e paisagens únicas desta área protegida são postas em causa por “graves falhas na sua gestão”, denunciou ontem a Liga para a Protecção da Natureza (LPN).

No Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina vivem espécies fantásticas. Algumas delas têm resistido desde o tempo dos dinossauros, graças a intrincadas estratégias de sobrevivência. Como os camarões-girino (Triops vicentinus) e os camarões-concha (Maghrebestheria maroccana) que habitam em charcos temporários mediterrânicos.

E, por incrível que pareça, ainda há espécies novas por descobrir naquela área protegida, criada há 32 anos. Em 2020, investigadores da Universidade de Évora classificaram uma nova espécie, a Helosciadium milfontinum, uma planta da família da erva-doce e cujo nome se deve à zona onde foi descoberta, Vila Nova de Milfontes.

Agora, “estas formas de vida que resistiram durante milhões de anos no Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina encontram-se mais ameaçadas do que nunca”, denuncia a LPN em comunicado.

A ameaça maior é o aumento da área agrícola, “notório das estufas e culturas cobertas que ocupam grandes extensões” no Parque Natural.

Segundo a LPN, há regras previstas na Lei que não estão a ser cumpridas, como a monitorização da qualidade das águas subterrâneas e do solo e do estado das espécies e habitats, bem como a cartografia e informação geográfica pública sobre espécies, habitats e actividades agrícolas na zona do Perímetro de Rega do Mira. Mas não é tudo. Segundo a LPN faltam ainda os Planos de Gestão no âmbito da Rede Natura 2000.

“É urgente a implementação séria da Lei de forma a garantir que os valores naturais únicos desta zona não serão destruídos”, comentou Jorge Palmeirim, presidente da direcção nacional da LPN.

“Não é conceptível o aumento da área de exploração agrícola sem monitorização do actual impacto desta actividade”, acrescentou.

Na sua opinião, “se não se conseguir assegurar a correcta aplicação das medidas de gestão, não prevejo futuro para o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina”.

Perante esta situação, a LPN questionou o organismo responsável, o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e está a aguardar uma resposta.


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