caminho por uma floresta

Com esta campanha pode ajudar a reconverter um eucaliptal numa mata biodiversa

A campanha de crowdfunding “Do Eucaliptal até à Mata”, da associação Montis, quer transformar eucaliptais em matas com árvores autóctones na Pampilhosa da Serra. Pode ajudar até 4 de Dezembro.

O objectivo desta campanha, que se iniciou a 6 de Outubro e decorre até 4 de Dezembro, é angariar um mínimo de 18.730 euros para a “reconversão dos eucaliptais comprados o ano passado em Pampilhosa da Serra em matas com maior interesse para a biodiversidade”, explica a associação Montis.

Até hoje, dia 2 de Dezembro, a campanha da Montis – Associação para a gestão e conservação da Natureza já tinha alcançado o objectivo, reunindo 19.055 euros graças à ajuda de 317 apoiantes.

Assim, serão recuperados dois terrenos: um com 2,6 hectares em Covões e outro com 2,3 hectares em Barroco Frio.

O projecto, a ser implementado até 2024, vai “dar maior valor de conservação a estes terrenos”, onde existe um “eucaliptal sem qualquer valor e em risco de contribuir para o próximo incêndio”.

Aqueles dois terrenos tinham sido comprados pela Montis no ano passado e estão parcialmente ocupados com eucalipto “sem interesse de conservação ou de produção”.

Segundo a Montis, “Covões está ocupada, em 70%, por eucaliptal abandonado. Na restante área existem matos mediterrânicos com medronhal, sobreiro e azinheira, e ainda uma galeria ripícola junto ao rio Unhais, com amieiros, salgueiros e outros”.

Já Barroco Frio está ocupada, em 40%, por eucaliptal. A restante área inclui também matos mediterrânicos e, a sul, a galeria ripícola do Unhais.

“Depois de algum tempo à procura de soluções e parceiros para a sua reconversão, decidiu-se avançar com base em recursos próprios da Montis e de quem queira ver destes exemplos, com técnicas facilmente utilizáveis, aumentando o valor pedagógico e a replicabilidade.”

O investimento visa a reconversão do eucaliptal em mata de vegetação autóctone e a regeneração natural nas áreas de matos.

Estão previstas várias acções, como “o corte de eucaliptos, sementeiras de sobreiro, azinheira e medronheiro e podas de condução e formação das espécies autóctones, estimulando o crescimento em altura, o ensombramento do solo para controlo de matos e a descontinuidade vertical de combustíveis, e, se viável, fogo controlado, para tornar a mata mais resiliente ao fogo e às alterações climáticas”.

Ao mesmo tempo serão recolhidos dados de biodiversidade – através de observação directa e fotoarmadilhagem – para avaliar os efeitos da gestão dos espaços.

A Montis – organização não governamental, sem fins lucrativos e de âmbito nacional – está sediada em Vouzela (Viseu) e foi criada a 23 de Março de 2014. Hoje, a associação tem 483 sócios.

Tem como objectivo gerir territórios com relevância para a conservação dos valores naturais. O seu trabalho passa por garantir o desenvolvimento dos processos naturais, promover a conservação de espécies autóctones, gerir de forma inteligente os fogos florestais e outros riscos naturais e aumentar o valor de mercado da biodiversidade.


Já que está aqui…

Apoie o projecto de jornalismo de natureza da Wilder com o calendário para 2021 dedicado às aves selvagens dos nossos jardins.

Com a ajuda das ilustrações de Marco Nunes Correia, poderá identificar as aves mais comuns nos jardins portugueses. O calendário Wilder de 2021 tem assinalados os dias mais importantes para a natureza e biodiversidade, em Portugal e no mundo. É impresso na vila da Benedita, no centro do país, em papel reciclado.

Marco Nunes Correia é ilustrador científico, especializado no desenho de aves. Tem em mãos dois guias de aves selvagens e é professor de desenho e ilustração.

O calendário pode ser encomendado aqui.

Helena Geraldes

Sou jornalista de Natureza na revista Wilder. Escrevo sobre Ambiente e Biodiversidade desde 1998 e trabalhei nas redacções da revista Fórum Ambiente e do jornal PÚBLICO. Neste último estive 13 anos à frente do site de Ambiente deste diário, o Ecosfera. Em 2015 lancei a Wilder, com as minhas colegas jornalistas Inês Sequeira e Joana Bourgard, para dar voz a quem se dedica a proteger ou a estudar a natureza mas também às espécies raras, ameaçadas ou àquelas de que (quase) ninguém fala. Na verdade, isso é algo que quero fazer desde que ainda em criança vi um documentário de vida selvagem que passava aos domingos na televisão e que me fez decidir o rumo que queria seguir. Já lá vão uns anos, portanto. Desde então tenho-me dedicado a escrever sobre linces, morcegos, abutres, peixes mas também sobre conservacionistas e cidadãos apaixonados pela natureza, que querem fazer parte de uma comunidade. Trabalho todos os dias para que a Wilder seja esse lugar no mundo.