Diabos-da-Tâsmania regressam à Austrália 3.000 anos depois

Diabo-Da-Tâsmania. Foto: JJ Harrison/WikiCommons

O diabo-da-Tâsmania (Sarcophilus harrisii) regressou à natureza na Austrália pela primeira vez em 3.000 anos, através de um novo projecto de reintrodução da espécie.

Em Setembro, três organizações conservacionistas australianas libertaram 26 animais num santuário para vida selvagem com 400 hectares, na Nova Gales do Sul, avançou ontem a organização sem fins lucrativos Aussie Ark, uma das entidades responsáveis por este projecto de rewilding.

A Aussie Ark tem vindo a reproduzir esta espécie em cativeiro, tendo já conseguido mais de 390 diabos-da-Tâsmania, preparando-os para serem libertados na natureza.

A libertação de Setembro foi a primeira de três. Nos próximos dois anos, a organização prevê mais duas reintroduções de 20 animais cada.  Os animais serão monitorizados através de censos regulares, coleiras de radiotransmissão e foto-armadilhagem. 

“Se tudo correr bem, os animais irão reproduzir-se e ter crias, eventualmente resultando numa população selvagem auto-suficiente”, explica a organização em comunicado.

Segundo Tim Faulkner, presidente da Aussie Ark, este é um momento “crucial” na reconstrução do ecossistema da Austrália, muito danificado pela introdução de predadores invasores.

Os diabos-da-tasmania ajudam, por exemplo, a controlar predadores de espécies ameaçadas e endémicas e a controlar doenças.

A Aussie Ark recorda que os diabos-da-Tâsmania foram dizimados da Austrália depois de terem sido caçados por dingos, animais que caçam em matilhas.  Ficaram, então, confinados à ilha da Tasmânia, onde aquela espécie não consegue chegar.

Mas nem ali encontraram a segurança que precisavam para sobreviver. As suas populações têm vindo a diminuir desde os anos 1990 por causa de uma doença causadora de um tumor facial. A doença dizimou 90% da população selvagem destes animais. Hoje estima-se que existam apenas 25.000 diabos-da-Tâsmania na natureza.

Participam ainda neste esforço conservacionista as organizações Global Wildlife Conservation e a WildArk.