Suspensão da Estrada das Ginjas é “boa notícia para a Laurissilva da Madeira”

Caminho das Ginjas. Foto: Cátia Gouveia/SPEA

A decisão de suspender a pavimentação do caminho das Ginjas, na ilha da Madeira, foi anunciada há poucos dias pelo director regional do Ambiente, Manuel Ara Oliveira.

O projecto de pavimentação e construção de uma estrada no caminho das Ginjas, um caminho florestal entre a localidade das Ginjas (município de São Vicente) e o Paúl da Serra, tinha sido lançado pelo município de São Vicente e pelo Governo Regional. Todavia, estava a ser contestado por várias organizações não governamentais, incluindo a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), por atravessar uma “mancha de Laurissilva bem conservada”.

Trata-se de “um património natural único, protegido por leis e convenções internacionais, e classificado como Rede Natura 2000, Património Mundial Natural da UNESCO e Parque Natural da Madeira”, notou esta terça-feira a SPEA Madeira num comunicado enviado à Wilder, classificando a suspensão do processo como “boas notícias para a Laurissilva” da ilha. 

A floresta Laurissilva da Madeira abriga inúmeras espécies de plantas e animais endémicas da Madeira e da Macaronésia, muitas delas ameaçadas.

Caminho das Ginjas. Foto: Cátia Gouveia/SPEA

Em Fevereiro passado, durante a fase de consulta pública, a SPEA e outras oito organizações não governamentais de ambiente (ONGA) deram um parecer negativo ao Estudo de Impacte Ambiental do projecto, “por apresentar falhas graves na identificação e avaliação dos impactes sobre as espécies e habitats prioritários”.

“É bom ver a força da participação pública, que travou, pelo menos para já, este atentado ao património natural da Madeira”, afirma agora Cátia Gouveia, coordenadora da SPEA Madeira. Entre 2013 e 2017, a floresta laurissilva foi alvo de medidas de recuperação no âmbito do projecto de conservação LIFE Fura-bardos, coordenado por esta ONGA.

Ainda assim, o projecto de construção de uma estrada sobre o caminho das Ginjas não foi para já cancelado. A suspensão foi decidida por haver o risco de o projecto receber uma declaração de impacte ambiental negativa, pelo que os planos estão a ser revistos e deverá ser feito um novo Estudo de Impacte Ambiental, anunciou o director regional do Ambiente no último sábado, 5 de Junho, numa entrevista à Antena 1 Madeira.