Foto: Lisete de Matos

Que espécie é esta: Borboleta nocturna da família Psychidae

A leitora Lisete de Matos pediu ajuda para identificar uma lagarta estranha que encontrou no pátio de casa, em Açor, Comeal, concelho de Góis, no dia 28 de Julho. Albano Soares responde.

 

“Se possível, agradeço a identificação desta lagarta encasulada que vi […] a correr apressada”, pediu Lisete de Matos, na mensagem enviada à Wilder. “Como em situações anteriores, não consegui observar para onde se dirigiu, mas encontro, por vezes, os casulos vazios.”

Trata-se de uma borboleta nocturna da família Psychidae.

Espécie identificada por: Albano Soares, Albano Soares, Rede de Estações da BiodiversidadeTagis – Centro de Conservação das Borboletas de Portugal.

“As fêmeas adultas nunca abandonam os casulos e parecem lagartas”, explicou este especialista. Esta qualidade é conhecida como “neotenia”, em que os animais mantêm as características típicas de quando eram larvas ou juvenis na fase adulta.

Foto: Lisete de Matos

“Os machos voam procurando as fêmeas e não se alimentam em adultos, vivendo por isso pouco tempo nesta fase”, indicou também Albano Soares.

As Psychidae, conhecidas em inglês por ‘bagworms’ (‘bichos-de-saco’), podem encontrar-se por todo o mundo. Como as fêmeas na maior parte dos casos não têm asas, a identificação das espécies torna-se mais difícil.

Os casulos são muitas vezes construídos com seda e material proveniente do habitat onde as lagartas se encontram, pelo que ficam naturalmente camuflados.

Veja um vídeo da borboleta, captado por Lisete de Matos:

 

 


Agora é a sua vez.

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Explore a série “Que espécie é esta?” e descubra quais as espécies que já foram identificadas, com a ajuda dos especialistas.

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.