Foto: Pixabay

Novo projecto quer recuperar habitats e espécies protegidas dos Açores até 2027

Monitor

O novo projecto LIFE de conservação para o arquipélago dos Açores, apoiado por fundos europeus, vai representar um investimento de 19,1 milhões de euros durante os próximos nove anos.

 

O LIFE Azores Natura – Protecção Activa e Gestão Integrada da Rede Natura 2000 faz parte de um grupo de 12 projectos integrados ambientais e de acção climática em 10 Estados-membros, que foram anunciados esta sexta-feira por Bruxelas.

No caso dos Açores e de outros projectos na área da natureza que vão agora ter apoios comunitários, o objectivo é “suportar a aplicação de políticas de biodiversidade e melhorar a gestão da rede Natura 2000 de áreas protegidas”, anunciou a Comissão Europeia.

Segundo a secretária regional da Energia, Ambiente e Turismo, Marta Guerreiro – que falava na apresentação pública do novo LIFE, na cidade da Horta, no Faial, – trata-se do “maior projecto de conservação alguma vez concebido para os Açores”, que vai passar por “um investimento sem precedentes em habitats e espécies protegidas”.

Entre as acções previstas está a “melhoria do estatuto de conservação de 13 tipos de habitat e de 24 espécies protegidas pelas directivas Aves e Habitats, incluindo flora e fauna únicas para as ilhas, como o priolo e a floresta laurissilva nativa onde vive”, explica a Comissão Europeia.

 

Priolo (Pyrrhula murina). Foto: mark Putney/Wiki Commons

 

A Rede Natura 2000 nos Açores tem hoje 41 áreas, incluindo 3 sítios de interesse comunitário – dois marinhos e um terrestre -, 23 zonas de especial conservação e 15 zonas de protecção especial.

 

Plantas endémicas e morcego-dos-Açores

O projecto vai apostar também no aumento do conhecimento sobre espécies endémicas de flora, ou seja, plantas que ocorrem naturalmente apenas nas ilhas açorianas, e ainda do morcego-dos-Açores (Nyctalus azoreum).

A criação de um banco de sementes para 80% das espécies endémicas de plantas da região deverá também concretizar-se durante os próximos nove anos, tal como a redução ou erradicação de ratos e coelhos bravos nas ilhas e um plano de acções de sensibilização dos açorianos para a importância da Rede Natura 2000.

 

fetos gigantes

Fetos arbóreos de grandes dimensões na ilha de São Jorge. Foto: José Luís Ávila Silveira/Pedro Noronha e Costa

 

Além da componente terrestre, que representa 14,1 milhões de euros, cerca de 4,3 milhões têm como destino a área marinha, para “complementar medidas de conservação e de gestão das actividades humanas no mar”, indicou por seu turno o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Menezes.

Entre as acções previstas está a tentativa de resolver algumas lacunas na informação sobre o meio marinho, incluindo a monitorização de espécies como as tartarugas marinhas.

Outras medidas? Recuperação de habitats marinhos, controlo de espécies marinhas invasoras e monitorização de actividades humanas no mar, incluindo a observação de baleias e a utilização que se faz das áreas marinhas protegidas.

 

Conservação do cavaco vai ser avaliada

O cavaco, “o único invertebrado marinho listado na directiva Habitats”, vai ser também avaliado no que respeita ao seu estatuto de conservação, adiantou o secretário regional. “É uma espécie valiosa mas pouco conhecida e vulnerável à exploração.”

 

um cavaco no mar, visto de frente

Cavaco (Scyllarides latus). Foto: Peterkoelbl/Wiki Commons

 

Além da avaliação da rede de áreas marinhas protegidas, que “já está a decorrer”, o novo projecto vai financiar também a compra de duas embarcações “que poderão ser utilizadas por vários organismos públicos em acções no âmbito das suas competências.”

Parte do projecto inclui também uma acção-piloto fora da região, em La Palma, nas ilhas Canárias, tendo em conta que o arquipélago espanhol faz também parte da região da Macaronésia. Essa acção prevê o controlo e erradicação de espécies exóticas que ameaçam também os Açores, pela Fundação Canária – Reserva Mundial da Biosfera de La Palma.

Coordenado pela Direcção Regional do Ambiente, o novo projecto vai ter como parceiros a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), a Direcção Regional dos Assuntos do Mar e ainda a Azorina, uma empresa criada pelo governo açoriano para gerir os centros ambientais e as áreas protegidas do arquipélago.

No total, os 12 projectos agora aprovados pela UE vão representar um investimento global de 215,5 milhões de euros – incluindo 116,1 milhões de co-financiamento europeu – repartidos por Portugal e outros nove países: Áustria, Bulgária, República Checa, Estónia, Finlândia, Grécia, Hungria, Itália e Eslovénia.

 

Saiba mais.

Recorde quando e onde pode ver priolos, uma das espécies endémicas protegidas nos Açores que vão ser alvo deste novo projecto LIFE.

 

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