Foto: Ardo Beltz/Wiki Commons

Portugal e Espanha juntam-se em projecto para a defesa do montado

O LIFE Scrubsnet tem como objectivo gerir os arbustos e matos que são tão importantes para a biodiversidade destes habitats, informa a Universidade de Évora.

O projecto “LIFE Scrubsnet – Regeneração e melhoria dos montados através da gestão adequada das áreas de mato/arbustos”, que termina em Agosto de 2026, “pretende explorar o potencial da gestão dos matos como forma de regenerar e melhorar o montado e as ‘dehesas’ (homólogas do montado em Espanha)”, anunciou esta quarta-feira a Universidade de Évora, em comunicado.

Em Portugal, este projecto co-financiado pela União Europeia foca-se principalmente em duas herdades alentejanas que fazem parte do sítio de importância comunitária de Monfurado (SIC de Monfurado), na região de Montemor-o-Novo: Terra das Freiras e Grupo de São Mateus. Este SIC estende-se por 23.964 hectares, parte da Rede Natura 2000, com “um claro domínio de montados, extensos e em bom estado de conservação, maioritariamente de sobro mas também de azinho ou mistos em zonas mais restritas”.

Recolher amostras de solo nas duas herdades foi a primeira fase dos trabalhos realizados pelo MED – Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento, da Universidade de Évora, uma vez que “o solo é a base de todo o sistema”. “A maioria dos solos no Alentejo é ácida e apresenta uma alta toxicidade por manganês, resultando num solo pouco propício para o crescimento de diversas plantas”, explica a equipa de investigadores, citada no comunicado.

Depois de comprovarem em laboratório “a elevada acidez dos solos recolhidos”, os responsáveis do MED aplicaram calcário dolomítico no solo das duas herdades. Espera-se que na próxima Primavera já se observem os primeiros resultados.

Práticas de gestão intensiva

Os habitats de montado estão espalhados por cerca de 4 milhões de hectares no sudoeste da Península Ibérica, tanto em Espanha como em Portugal, e estão também presentes em Itália. Moldados por “práticas agrícolas tradicionais e extensivas”, têm hoje um estado de conservação desfavorável, “sobretudo devido aos efeitos da intensificação da pecuária que se manifesta nas suas florestas envelhecidas”.

Desta forma, de acordo com a equipa do projecto, “as práticas de gestão intensiva têm consequências profundas nos processos ecológicos que garantem a persistência do habitat a longo prazo, impedem a regeneração das árvores e esgotam a função do solo”. Além disso, acrescentam, a sobrevivência destas florestas é também ameaçada pela disseminação de patógenos exóticos e pelo aumento da seca”, o que representa “um desafio para o manejo desses sistemas que pode resultar em dramáticas consequências sociais, económicas, paisagísticas e de biodiversidade”.

O MED é o único parceiro português deste projecto coordenado pela empresa espanhola Innosgestiona Ambiental, especializada em engenharia ambiental. Do consórcio fazem parte outras nove entidades.

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.