Tartaruga-boba. Natasa Stuper/Wiki Commons

Açores e Madeira são cruciais para jovens tartarugas marinhas

Ciência

Sabe-se muito pouco sobre a vida das jovens tartarugas-bobas (Caretta caretta), nomeadamente por onde andam e o que fazem. Agora, um novo estudo revela que os Açores, a Madeira e as Canárias são cruciais para que cresçam fortes e se preparem para a idade adulta.

 

Durante 13 anos, desde 1999 a 2012, uma equipa de nove investigadores seguiu o rasto de 24 tartarugas jovens pelo oceano Atlântico, graças à colocação de localizadores via satélite.

Estas tartarugas marinhas nascem nas praias do Atlântico ocidental, dispersam-se pelo oceano onde permanecem enquanto são juvenis. Quando se aproximam da idade adulta, cerca dos seis ou sete anos de idade, começam a regressar às praias onde nasceram para se reproduzir.

Até agora sabia-se muito pouco sobre estes anos de juventude, ao contrário do que acontece com as tartarugas adultas. Os seus movimentos no oceano Atlântico já são bem conhecidos.

Os investigadores capturaram, nas águas em redor das Canárias, cinco animais em 1999, sete em 2006 e 12 entre 2008 e 2009 para lhes colocarem os localizadores. Os animais foram seguidos por períodos de tempo que variaram entre um mês e três anos, sendo a média de nove meses. Os resultados foram recentemente publicados na revista científica Diversity and distributions, num artigo coordenado pelas universidades de Las Palmas de Gran Canaria e de Exeter e quatro organismos científicos do arquipélago das Canárias.

A equipa descobriu que os juvenis usam uma “enorme extensão do oceano (2,5 milhões de quilómetros quadrados), especialmente junto às ilhas Canárias, Espanha, Portugal, Marrocos e Saara ocidental”, escrevem os autores do estudo. Esta zona, com as melhores condições para os animais durante todo o ano, também inclui a Madeira e os Açores.

Normalmente na Primavera e no Verão, as tartarugas viajam para Norte em direcção à Península Ibérica. Nesta zona, os arquipélagos da Madeira, Açores e Canárias são lugares cruciais para os juvenis crescerem e se prepararem para a viagem de regresso à América.

A maioria das tartarugas permaneceu em águas oceânicas, ou seja, em zonas com profundidades superiores a 200 metros, e fez mergulhos não muito profundos (a maioria atingiu os seis metros e nenhum animal mergulhou a mais de 150 metros). “As tartarugas fizeram mergulhos mais profundos e rápidos no Outono e Verão e menos profundos mas mais longos na Primavera e Inverno”, acrescentam os autores.

Os investigadores salientam que não é claro como é que as tartarugas juvenis decidem que chegou a hora de regressar às praias onde nasceram, para se reproduzir. “Mas os nossos resultados sugerem, pela primeira vez, que isso pode acontecer quando as suas carapaças atingem cerca de 50 centímetros de comprimento”, notam.

Os investigadores defendem que este estudo pode ajudar na hora de decidir como conservar estes animais marinhos. “É vital que as nações no Atlântico oriental, nas regiões onde demonstrámos haver um uso do habitat pelas tartarugas marinhas, sejam encorajadas o mais possível a ratificarem tratados internacionais de conservação marinha e que os planos internacionais incluam medidas para reduzir as capturas acidentais”.