Os falcoeiros portugueses querem apoiar de forma mais activa as acções de conservação da natureza, em especial das aves de rapina. Pedro Afonso, presidente da Associação Portuguesa de Falcoaria, contou tudo à Wilder.

 

O objectivo da Associação Portuguesa de Falcoaria (APF), que tem cerca de 80 associados, é fazer parcerias para pequenas acções em conjunto com outras entidades, como centros de recuperação de animais selvagens, por exemplo.

Em 2016, por exemplo, a APF fez pela primeira vez uma campanha de recolha de fundos junto dos associados, que depois entregou ao CERVAS (Centro de Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens) – centro em Gouveia por onde passam muitas aves de rapina.

Mas no futuro, a ideia é também doar alimentos para aves em recuperação ou material de falcoaria que seja útil para algumas actividades, tanto ao CERVAS como a outras entidades com funções semelhantes.

“Por exemplo, podemos doar os caparões usados para manter as aves calmas quando estão numa observação clínica”, diz Pedro Afonso, que espera ter todos os anos uma acção deste género.

Outra hipótese será a colaboração de falcoeiros com grupos de monitorização de populações selvagens, “aproveitando a capacidade de identificação que os falcoeiros em geral têm e os seus conhecimentos sobre os habitats destas aves, as suas presas e potenciais focos de ameaça”.

A mais longo prazo, pensa-se até na possível criação de um programa para a reabilitação de algumas aves, usando a falcoaria.

Mas porquê todo este interesse? “Os falcoeiros são apaixonados e preocupados com as aves de presa e por essa razão devem e querem fazer todos os esforços ao seu alcance para construírem melhores condições para a sua conservação e reabilitação”, diz o presidente da APF.

Por outro lado, Pedro Afonso reconhece que têm agora uma responsabilidade acrescida, devido à decisão da UNESCO de eleger a falcoaria em Portugal como Património Cultural Imaterial, no final do ano passado. “Esta distinção coloca, claramente, a conservação da natureza na agenda dos falcoeiros, que terão de fazer mais e melhor de agora em diante.”

Já existem falcoeiros portugueses envolvidos em acções de conservação, como por exemplo na reabilitação de aves nos Açores ou envolvidos com a SPEA, mas nada de âmbito colectivo.

Em Portugal, esta actividade tem neste momento cerca de 100 praticantes, que recorrem a aves de rapina como os falcões peregrinos e os açores para caçarem presas selvagens nos seus habitats. É obrigatório que essas aves estejam registadas no Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e têm de descender de casais criados de forma legal em cativeiro.

Uma das preocupações da associação, aliás, é esclarecer que a falcoaria nada tem a ver com a captura de aves selvagens ou com a sua criação ilegal em cativeiro.