Foto: Max Goldberg/Wiki Commons

Guterres apela a Donald Trump para não abandonar Acordo de Paris

O secretário-geral das Nações Unidas apelou ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para não abandonar o Acordo de Paris sobre o clima. Espera-se que Trump anuncie ainda hoje a sua decisão.

 

António Guterres disse que o apoio dos Estados Unidos, enquanto maior economia do mundo, é crucial para o Acordo de Paris. Este documento, assinado na capital francesa em 2015 e que foi ratificado por 147 nações, tem como objectivo limitar as alterações climáticas atribuídas às emissões de gases para a atmosfera. Os Estados Unidos deverão reduzir as suas emissões de 26 a 28% entre 2005 e 2025. Estas reduções têm como fim manter o aquecimento global do planeta abaixo dos 2ºC.

“É obviamente uma decisão muito importante uma vez que os Estados Unidos são a maior economia do mundo”, disse o secretário-geral das Nações Unidas à BBC. Hoje, o New York Times lembra que os Estados Unidos, com apenas cerca de 4% da população mundial, é um país responsável por quase um terço do dióxido de carbono em excesso no planeta. A China é responsável por menos de um sexto. O típico norte-americano queima em média quase o dobro de combustíveis fósseis em relação ao europeu e 10 vezes mais do que um indiano.

E acrescentou: “Mas independentemente da decisão do Governo americano, é importante que todos os outros Governos se mantenham no caminho actual.”

“O Acordo de Paris é essencial para o nosso futuro colectivo e também é importante que a sociedade americana se mobilize para o preservar, como uma peça central, para garantir o futuro dos nossos filhos e netos”, salientou ainda.

A intenção de retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris não surge como surpresa. Por várias vezes durante a campanha às eleições, Donald Trump disse que este acordo enfraquece a economia norte-americana e leva à perda de postos de trabalho. Desde que tomou posse a 20 de Janeiro, a administração Trump tem tornado claro que pretende abandonar as metas de redução de emissões de gases com efeito de estufa definidas pelo Presidente Barack Obama e retirar o financiamento a projectos de investigação para encontrar soluções para as alterações climáticas.

Por enquanto esta opinião parece manter-se. Hoje, Donald Trump publicou no Twitter que vai anunciar a sua decisão às 15h00 locais (20h00 em Lisboa).

 

 

Já o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, indicou que o país vai honrar os seus compromissos. “A China vai continuar a aplicar as promessas feitas no Acordo de Paris. Mas é claro que esperamos fazê-lo em cooperação com outros”, disse, durante uma visita à Alemanha.

A China é desde 2007 o maior emissor mundial de gases de estufa, à frente dos Estados Unidos, que se mantém como o principal responsável histórico em termos de emissões.

Ontem, a ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável reagiu à eventual saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e lembrou que isso “não põe em causa o enorme esforço que já está a ocorrer nacionalmente por parte de muitos estados, municípios e, principalmente, empresas americanas”. Além disso, os Estados Unidos continuarão na Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, que reúne 197 países. Agora, “se os EUA decidirem sair desta Convenção das Nações Unidas, esse sim será um passo verdadeiramente dramático”.

 

 

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