Foto: Justin Hart

Cagarra a voar em tempo tempestuoso vence concurso de fotografia sobre aves marinhas

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A segunda edição deste concurso internacional dedicado às aves marinhas da Macaronésia, promovido pela associação Asas do Mar, recebeu 107 imagens concorrentes. Conheça as histórias das fotos vencedoras.

Este ano, puderam participar fotografias tiradas em toda a área geográfica da Macaronésia, incluindo Açores, Madeira, Canárias, Cabo Verde e também o Oceano Atlântico, informa um comunicado enviado à Wilder pela organização do concurso, a associação Asas do Mar – Instituto de Ornitologia Marinha dos Açores.

Na corrida entraram 107 imagens, tiradas por 26 participantes com mais de 18 anos, e ainda outros quatro concorrentes para a categoria de “Jovem Fotógrafo”. O júri foi constituído por Kirstin Jones, Marc Albiac, Paulo Silva e Bart Vercruysse.

1º Prémio: Cagarra a voar em mar tempestuoso, por Justin Hart

“Esta foto foi tirada enquanto eu estava no final do quebra-mar à entrada do porto da Madalena do Pico”, comenta o fotógrafo, sobre esta imagem captada em Outubro de 2012. “Em dias de ondulação forte, grandes ondas chegam do Atlântico, crescem e depois quebram ao passar pelo estreito que fica entre a entrada do porto e os pequenos ilhéus. Em Outubro e Novembro, os cagarros recém-criados juntam-se no Canal do Pico e por vezes brincam entre estes topos de onda, aproveitando as correntes ascendentes para ganharem altura e praticarem a arte de voar como um cagarro. Fiz a imagem abrigado atrás do farol, fazendo disparos curtos em ‘autofoco contínuo’ sempre que as aves passavam, esperando que pelo menos uma das imagens capturasse não apenas a ave, mas o humor do mar e ‘o espírito do cagarro’.”

2º Prémio: Ouro no mar, por Gui da Costa

“Um passeio de barco no final da tarde, ao pôr do sol, com mar calmo, é sempre um convite para terminar o dia da melhor forma. É também a altura em que as cagarras, nas imediações do ilhéu de Vila Franca do Campo, se preparam para a noite”, explica Gui da Costa, vencedor do segundo prémio. “Captar esse momento numa fotografia e poder partilhá-lo com todos foi o meu desafio. Com o meu quadro ‘Ouro no Mar’ espero despertar nas pessoas a sensibilidade para a observação da natureza.”

3º Prémio: A chegada da cagarra, por Justin Hart

As cagarras passam quase toda a vida no mar. Só vêm a terra para procriar e só o fazem durante a noite para evitarem os predadores, pelo que esta foto “exigiu algum planeamento”, recorda Justin Hart. “Felizmente, já há vários anos que estudava os cagarros que nidificavam ao longo da costa oeste do Pico, perto do Monte, por isso tinha um conhecimento íntimo dos locais onde escolhiam nidificar. Esse conhecimento ajudou-me a seleccionar um local adequado onde sabia que algumas aves passariam quando pousassem e voltassem para seus ninhos à noite. Num local onde as aves faziam ninhos, numa pequena caverna de lava, o acesso era particularmente propício para a fotografia, já que a trajetória de voo só era possível numa direcção entre uma lacuna nas árvores.”

Menção honrosa: Retrato de uma cagarra no mar, por Anxo Cao

Menção honrosa: Frenesim de cagarras alimentando-se de peixe-pau, por Justin Hart

Prémio Jovem Fotógrafo: Aquecimento, por Salvador Vieira

Esta fotografia de um garajau-comum foi tirada na ilha do Faial, Açores. “Ao final de um dia do mês de setembro fui ao terminal de passageiros da Horta”, descreve o vencedor. “Este é um lugar onde muitos garajaus se reúnem no início do Outono. O título da imagem é ‘Aquecimento’, porque o garajau-comum estava a fazer alongamentos em preparação para sua longa migração para a América do Sul.”

Menção honrosa: Retrato de uma cagarra no ninho, por Matias Roque

Menção honrosa: Anjo, por Salvador Vieira

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.