Andorinhão. Foto: CERVAS

No CERVAS, em Gouveia, 98 andorinhões recuperaram e regressaram à natureza em 2021

O número de andorinhões que dão entrada neste centro de recuperação de animais selvagens tem vindo a crescer de ano para ano, o que é uma boa notícia, explica o coordenador.

Entre Maio e Novembro, quase uma centena de andorinhões (98) foram devolvidos à natureza, depois de recuperarem no CERVAS – Centro de Ecologia Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens. Estas aves migradoras estão entre aquelas que dão entrada em maior número no centro de recuperação situado em Gouveia, no Parque Natural da Serra da Estrela.

Segundo o coordenador do centro, Ricardo Brandão, um total de 147 andorinhões deram entrada no centro ao longo de 2021 – “o máximo registado desde o início da actividade do centro (em 2006), na sequência de um aumento gradual que tem sido registado ano após ano”, indicou este veterinário à Wilder.

Devolução de um andorinhão à natureza. Foto: CERVAS

“Este aumento tem-se verificado devido a um cada vez maior conhecimento por parte da população sobre o que fazer quando é encontrado um animal selvagem debilitado e um cada vez melhor funcionamento do sistema de recolha e encaminhamento por parte das autoridades”, considera Ricardo Brandão.

A maioria dos andorinhões que entraram no CERVAS eram ainda juvenis que tinham saído “precocemente” dos ninhos e por isso foram encontrados no chão, mas também ali ingressaram aves já adultas, “que tinham sofrido acidentes de colisão com estruturas, em zonas urbanas”.

Com efeito, são as zonas urbanas que os andorinhões mais procuram quando vêm passar a época de reprodução a Portugal, durante os meses mais quentes. Estas aves de asas compridas que voam sobre os telhados de muitas cidades e vilas durante o Verão, muitas vezes confundidas com andorinhas, são animais surpreendentes: passam quase toda a vida a voar, incluindo enquanto dormem.

Acção de devolução de um andorinhão à natureza. Foto: CERVAS

Por outro lado, dos 147 andorinhões, cerca de dois terços (99 aves) foram andorinhões-pálidos (Apus pallidus) e os restantes foram andorinhões-pretos (Apus apus). Estas duas espécies compõem a maioria das aves deste género que podem ser observadas em Portugal.

Onde tinham sido encontrados os “pacientes” que ingressaram no CERVAS? Segundo o coordenador, a maior parte chegaram ali vindos do distrito de Coimbra (70%), mas também houve andorinhões recolhidos na Guarda, em Viseu, Aveiro e Leiria. Muitas destas aves, tal como acontece com outros animais selvagens, foram encaminhadas para este centro pelo Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR, pelas equipas de Ambiente da PSP e pelos vigilantes da natureza do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

É importante encaminhar rapidamente

Contas feitas, do total de andorinhões que este ano foram tratados no centro situado no Parque Natural da Serra da Estrela, 77% conseguiram sobreviver e ficaram aptos para serem devolvidos ao seu meio natural.

Mas esse é um bom ou um mau resultado? Na verdade, “pode ser considerado um resultado positivo, bem acima dos cerca de 60% de eficácia, se forem considerados os ingressos totais no centro”, explica o mesmo responsável.

Devolução de um andorinhão à natureza. Foto: CERVAS

Ricardo Brandão sublinha que estes números confirmam a importância de um encaminhamento rápido de todos os andorinhões que forem encontrados, através do contacto com as autoridades, sem que lhes sejam dados quaisquer alimentos e sem que tenham contacto com pessoas. O objectivo é estes animais serem “o mais rapidamente possível alimentados com insectos e colocados em contacto com outros andorinhões no centro de recuperação mais próximo”.

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.