Os fenómenos essenciais da vida selvagem para apreciar nesta época do ano. Prepare-se para as sinfonias nocturnas das rãs-verdes, das relas ou dos sapos-corredores. Ana Ferreira e Jael Palhas, do projecto Charcos com Vida, CIIMAR-Universidade do Porto explicam o que está a acontecer.

 

No mundo dos anfíbios, é durante a Primavera que especialmente os sapos e as rãs se tornam mais visíveis e audíveis. Nesta fase, estes animais atingem o seu pico de atividade e cantam à noite para procurarem parceiros e se reproduzirem.

 

Rela-comum (Hyla molleri). Foto: Ana Ferreira

 

Espécies como a rã-verde (Pelophilax perezi), rela (Hyla spp.) ou o sapo-corredor (Bufo calamita) enchem os charcos com uma panóplia variada de sons tão característicos e audíveis que rapidamente nos sentimos envolvidos pela vida do charco. Esta é a forma que os machos encontraram para comunicarem às possíveis parceiras o seu interesse e para provarem que têm melhores atributos que o macho vizinho.

 

Rã verde no charco. Foto: Pedro Alves

 

Assim, não é de estranhar que, durante as visitas noturnas aos charcos, se encontrem pares de rãs ou sapos “abraçados”, significa que estão no amplexo e prontos para se reproduzir. Em espécies com uma reprodução “explosiva”, como o sapo-comum (Bufo spinosus), é comum podermos observar dezenas de machos e fêmeas no mesmo charco.

As temperaturas amenas e os últimos dias de grandes chuvadas do ano criam as condições perfeitas para as espécies que dependem dos charcos, como os anfíbios, invertebrados e plantas aquáticas. Esta é a grande última oportunidade de os charcos encherem até ao próximo Inverno, e não pode ser desperdiçada por anfíbios, invertebrados e plantas aquáticas que dependem destes locais para se reproduzirem e concluírem o seu ciclo de vida.

 

O melhor da Primavera:

Abelhões escavadores

As primeiras saídas das crias de texugo

O esplendor dos ranúnculos e dos lírios amarelos

As flores brancas do pilriteiro