Fotos: Vestígios

Um dia (chuvoso) a andar nos Passadiços do Paiva

Correspondentes

Os correspondentes da Wilder, Cláudia e Vítor, ficaram rendidos às quedas de água, rápidos e encostas do rio Paiva e aos carvalhos, salgueiros, lontras e salamandras que ali vivem.

 

 

O dia está chuvoso mas mesmo assim há vários grupos a percorrer os Passadiços do Paiva. Vêm de vários pontos do país e todos querem conhecer estes famosos caminhos. Apesar da afluência turística ser grande, o espaço impõe-se e o som do rio continua a sobressair por entre as vozes.

Os Passadiços do Paiva, em Arouca, tornaram-se desde 2015 um dos epicentros de turismo natural do país. Eleito como o projeto turístico mais inovador da Europa pelos World Travel Awards ’16, recebe anualmente milhares de visitantes. De Espiunca a Areinho percorre cerca de 8km na margem esquerda do Rio Paiva.

 

 

Por entre colinas e vales que serpenteiam a montanha e desenham o rio, surgem as quedas de água, os rápidos e as vistas panorâmicas.

O projeto de arquitectura e engenharia tenta não interferir com o meio, tenta aliar-se à natureza e deslumbra na forma como se enquadra na paisagem, merecendo destaque pelas linhas simples e sinuosas que curvam a favor do rio.

 

 

Os incêndios têm sido aqui o grande inimigo. Por mão humana ou natural todos os anos o fogo tem tomado conta da serra e destruído parte desta construção. O Verão de 2016 foi particularmente dramático e Arouca foi uma das zonas mais afectadas. A caminho de Espiunca é difícil ficar indiferente à paisagem negra que reina por entre os montes.

Assim, devido aos estragos, cerca de metade do percurso encontra-se interdito, pelo que apenas é possível realizar cerca 4 km, ou 8 em ida e volta. Contudo as obras de reconstrução já começaram e espera-se que na Primavera o espaço já se encontre pronto para voltar a receber todos os caminhantes na sua total extensão.

 

 

Mais do que chegar ao fim, é importante olhar para a paisagem que nos rodeia. Aqui são comuns animais como os lagartos-de-água (Lacerta schreiberi), salamandras-lusitânicas (Chioglossa lusitanica) e lontras (Lutra lutra). Existem cerca de 8 bio-spots que nos alertam para a existência de várias borboletas como a Apatura-Pequena (Apatura ilia), Antiopa (Nymphalis antiopa) ou Policloros (Nymphalis polychloros).

 

 

Já em relação à flora destaca-se o carvalho português (Quercus faginea), os salgueiros (Salix Alba), (Salix atrocinerea), os amieiros (Alnus glutinosa), os freixos (Fraxinus excelsior), os medronheiros (Arbutus unedo) e uma múltipla variedade de plantas vasculares que se fixam nas rochas como a Uva-de-Gato (Sedum hirsutum) e o Arroz-dos-Muros (Sedum brevifolium).

O percurso alterna os passadiços de madeira com caminhos em terra batida. O piso é estável, o acesso fácil e as infra-estruturas de segurança e alimentação vão crescendo a par da popularidade do trilho.

 

 

A dificuldade do percurso é tida como alta, contudo e enquanto as obras não terminarem, os 4km não apresentam obstáculos nem dificuldades acrescidas, pelo que numa simpática manhã é possível realizar a ida e volta de forma calma e relaxada. Actualmente a entrada tem o custo de 1€ e um limite diários de entradas, de forma minimizar o impacto humano.

 

Leia o blogue da Cláudia e do Vítor

Siga os correspondentes da Wilder, entusiastas que exploram e registam a vida selvagem à sua porta.