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Borboleta-monarca (Danaus plexippus). Foto: Qoatl/Wiki Commons

Borboleta monarca passa a ser considerada Em Perigo de extinção

O anúncio da IUCN diz respeito a uma borboleta mundialmente famosa conhecida pelas migrações de milhares de quilómetros que faz na América. 

 

Esta subespécie da borboleta monarca, a Danaus plexippus plexippus, realiza todos os anos uma viagem de 4.000 quilómetros entre o México e Califórnia, onde passa o Inverno, para os territórios onde se reproduz mais a norte, tanto nos Estados Unidos como no Canadá.

Ao longo da última década, estima-se que a população nativa desta borboleta encolheu entre 22 a 72 por cento, indica em comunicado a IUCN – União Internacional para a Conservação da Natureza, que anunciou esta quinta-feira a entrada desta subespécie para a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. Esta lista inclui hoje 147.517 espécies, das quais 41.459 estão em risco de extinção.

“O abate de árvores legal e ilegal, para produção de madeira, e a desflorestação para criar espaço para a agricultura e para o desenvolvimento urbano já destruíram áreas substanciais de abrigos de Inverno destas borboletas no México e na Califórnia”, nota a organização internacional.

Por outro lado, acrescenta a IUCN, os pesticidas e herbicidas usados na agricultura por toda a área de distribuição da borboleta-monarca matam as borboletas e as plantas do género Asclepias (em inglês, ‘milkweed’). São estas as plantas hospedeiras das quais se alimentam as lagartas desta espécie.

Em terceiro lugar, as alterações climáticas são também preocupantes para esta borboleta migradora, por vários motivos: os episódios de seca limitam o crescimento das plantas-hospedeiras e aumentam os fogos incontroláveis; as mudanças de temperatura levam as borboletas a migrar mais cedo, antes da floração das plantas do género Asclepias; as tempestades e episódios de tempo severo milhões de borboletas.

Anna Walker, especialista nesta espécie que conduziu a avaliação, acredita ainda assim que existe esperança: “Tantas pessoas e organizações têm-se juntado para tentar proteger esta borboleta e os seus habitats; desde a plantação de Asclepias e a redução do uso de pesticidas ao apoio na protecção dos abrigos de Inverno e contribuições para a ciência cidadã, todos temos um papel para que seja certa a recuperação total deste insecto icónico.”

Em Portugal, há populações de outra subespécie da borboleta monarca que neste caso não são migradoras, conhecidas no Sudoeste Alentejano e também no Algarve, tal como na ilha da Madeira.

Mais tigres do que se pensava

Por sua vez, a população mundial de tigres que vivem na natureza foi revista, com uma subida de 40 por cento desde a última vez que a situação foi avaliada, em 2015. Actualmente, segundo a IUCN, vivem em liberdade entre 3.726 e 5.578 tigres.

“Este é o resultado de melhorias na monitorização, o que mostra que há mais tigres do que se pensava anteriormente, e o número de tigres está estável ou a aumentar”, afirma a organização. Embora a espécie continue a ser considerada Em Perigo, “as tendências populacionais mostram que projectos como o Programa Integrado de Conservação de Habitats do Tigre, da IUCN, têm sucesso e a recuperação é possível desde que os esforços de conservação continuem”.

A caça ilegal de tigres e das suas presas, tal como a fragmentação e destruição dos habitats desta espécie, devido às pressões da agricultura e do desenvolvimento urbano, são as principais ameaças para a espécie.

 

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.