Águia-real reintroduzida no Parque Nacional da Peneda-Gerês

Águia-real. Foto: Kevin/Pixabay

A 4 de Setembro, uma águia-real (Aquila chrysaetos) foi libertada na Peneda-Gerês, junto à fronteira com o Parque Natural da Baixa Límia-Serra do Xurés, para recuperar esta espécie Em Perigo de extinção.

Actualmente existirão apenas três casais na área do Parque Nacional da Peneda Gerês e do Parque Natural da Baixa Límia-Serra do Xurés. 

Desde 2001 que um projecto de reintrodução da águia-real, da organização espanhola GREFA (Grupo de Reabilitação da Fauna Autóctone e do seu Habitat) está a tentar trazer de volta esta espécie à região. Até 2019 já foram libertadas 40 águias-reais nesta zona.

Águia-real. Foto: Gregory “Slobirdr” Smith/Wiki Commons

A 4 de Setembro foi libertada a primeira das quatro a libertar este ano, no âmbito de uma parceria da ONG espanhola e do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

“A reintrodução é realizada com exemplares oriundos tanto de recuperação como de reprodução em cativeiro”, explica o GREFA em comunicado.

Todas as águias-reais reintroduzidas estão equipadas com emissores de satélite para o seu seguimento.

Este projecto de reintrodução é complementado ainda com outras medidas, como a alteração de linhas eléctricas perigosas, a melhoria do habitat para aumentar a disponibilidade de presas e a aplicação de protocolos de luta contra o uso de venenos, a principal causa de mortalidade da espécie em Espanha.

Em Portugal, a espécie está classificada como Em Perigo de extinção, por ter cerca de 60 casais.

Águia-real. Foto: Kevin/Pixabay

A população portuguesa está distribuída por cinco núcleos: serras do Noroeste, serras do Alvão e do Marão, Alto Douro e Nordeste Transmontano, Alto Tejo e Bacia do Guadiana. Encontra-se extinta nas serras algarvias desde 1995.

No Parque Nacional da Peneda-Gerês, a espécie foi dada como extinta em 2004, quando morreu o macho do último casal que ali nidificava. A única fêmea que restou deixou de ser vista em 2009.

Esta rapina chegou a esta situação por causa de uma série de ameaças, desde o envenenamento, abate intencional e pilhagem de ninhos à perturbação do habitat e dos locais de nidificação, falta de presas (especialmente de coelho bravo) e baixa taxa reprodutiva.

A nível europeu, a espécie é considerada Rara, tendo menos de dez mil casais.