Cientistas alertam para perda de florestas protegidas a um ritmo alarmante

15 de Outubro de 2015

Entre 2000 e 2012, o planeta perdeu 3% das suas florestas protegidas e 2,5% das suas florestas até então intactas, segundo um estudo de investigadores da Universidade Aalto, na Finlândia, publicado hoje na revista científica PlosOne.

 

Em 2010, a floresta cobria 40 milhões de quilómetros quadrados ou 31% da área terrestre do planeta. Mas a eficácia das áreas protegidas para conservar as florestas tem sido questionada. Analisando quatro bases de dados globais, esta equipa quis aprofundar a questão.

“É alarmante que a proteção oficial, em muitos locais, não consiga proteger as florestas”, diz Timo Rasanen, investigador na universidade finlandesa e um dos autores do estudo. “As florestas mantêm a diversidade ecológica, regulam o clima, armazenam carbono, protegem o solo e a água e providenciam recursos e meios de subsistência para a população mundial”, acrescentou.

Segundo os investigadores, em 2000, mais de oito milhões de quilómetros quadrados de floresta no mundo tinham algum tipo de protecção. “Segundo as nossas análises, 25% (11 milhões de quilómetros quadrados) das florestas estavam intactas, das quais cerca de 35% estavam protegidas. As áreas que estão intactas e protegidas cobriam um total de 3.7 milhões de quilómetros quadrados (ou 8,7% do total da área florestada).

Depois dos seus estudos, a equipa concluiu que, entre 2000 e 2012, mais de 10% da perda de floresta no mundo aconteceu em áreas protegidas: 219.000 quilómetros quadrados (representando 3% da floresta protegida).

Além disso, os investigadores descobriram que, no mesmo período, se perderam 269.000 quilómetros quadrados (2,5%) de florestas intactas e 55.000 quilómetros quadrados (1,5%) de florestas intactas protegidas.

Na Austrália, Oceânia e América do Norte, a perda de florestas protegidas ultrapassou mesmo os 5%. E em determinadas regiões da Europa, África e Ásia Central, a perda relativa de florestas foi maior dentro de áreas protegidas do que fora delas.

À escala mundial, a expansão da agricultura é o mais importante processo que explica esta perda de florestas, indicam os investigadores.

Ainda assim, há sinais positivos. As regiões do planeta onde, de facto, a proteção legal foi eficaz situam-se em vários países da América do Sul e Sudeste Asiático. Timo Rasanen acrescentou que, por exemplo, “o ritmo de perda de florestas na Amazónia brasileira diminuiu nos últimos anos”.

A investigação teve a colaboração do Instituto de Recursos Naturais da Finlândia, do King’s College London e da Universidade de Amesterdão.