Lagostim-vermelho-do-Louisiana. Foto: Floma24/Wiki Commons

Lagostim-vermelho-do-Louisiana vai ser controlado através da pesca comercial

Em comunicado divulgado esta sexta-feira, o gabinete do ministro do Ambiente e da Acção Climática, João Pedro Matos Fernandes, informa que foi aprovado o plano de acção para o controlo desta espécie exótica invasora em Portugal Continental.

“O controlo será efectuado através da captura de espécimes de lagostim-vermelho-da-Luisiana, utilizando métodos de pesca legalmente autorizados”, explica a nota divulgada, que acrescenta que estas medidas aplicadas “através do exercício de uma atividade económica” vão permitir que diminua a pressão deste lagostim sobre os ecossistemas naturais, “sem a alocação adicional de recursos financeiros públicos”.

Esta espécie nativa da América do Norte, que entrou em Portugal em 1979, está espalhada por, pelo menos, 11 bacias hidrográficas de Norte a Sul: Douro, Leça, Vouga, Mondego, Lis, ribeiras do Oeste, Tejo, Sado, Mira, ribeiras do Algarve e Guadiana.

O lagostim-vermelho-do-Lousiana é desde logo um predador voraz de anfíbios – como a salamandra-de-costelas-salientes (Pleurodeles waltl) e a rela (Hyla arborea) -, insectos e plantas. É também temido pelos orizicultores, que vêem as galerias escavadas pelos lagostins secar os seus campos de arroz. Por outro lado, hoje em dia serve de alimento às lontras e a várias aves limícolas, como é o caso das garças.

De acordo com o Ministério do Ambiente, “devido à sua posição de charneira biogeográfica, Portugal tem condições de aclimatação de espécies não indígenas”. “Neste contexto, a proliferação de espécies exóticas invasoras é identificada na Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade 2030 como uma das principais ameaças à biodiversidade.”

“Considerando que o lagostim-vermelho-da-Luisiana está incluído na Lista Nacional de Espécies Invasoras e disseminado em grande escala no território continental, tornou-se necessário estabelecer um plano de ação nacional para o seu controlo”, justifica também o gabinete do ministro. 

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas vai ser a entidade responsável pela coordenação, controle, vigilância e monitorização deste plano de acção”. 


Saiba mais.

Consulte o plano de acção nacional para o controlo do lagostim-vermelho-da-luisiana em Portugal continental, aprovado em Resolução do Conselho de Ministros e publicado a 17 de Setembro no Diário da República, aqui.

E conheça outras espécies aquáticas invasoras em Portugal, numa série publicada pela Wilder em parceria com o projecto LIFE Invasaqua:

O siluro, o mexilhão-zebra, a rã-de-unhas-africana, o alburno, a amêijoa asiática, o caranguejo-peludo-chinês, a amêijoa-japonesa, a gambúsia, o lagostim-sinal, a medusa Blackfordia virginica, o lucioperca e o caranguejo-azul.

Inês Sequeira

A minha descoberta do mundo começou nas páginas dos livros. Desde que aprendi a ler, devorava tudo o que eram livros e enciclopédias em casa dos meus pais. Mais tarde, nos jornais, as minhas notícias preferidas eram as que explicavam e enquadravam acontecimentos que de outra forma seriam compreendidos apenas pelos especialistas. E foi com essa ânsia de aprender e de “traduzir” o mundo que me formei como jornalista. Comecei em 1998 na área de Economia do PÚBLICO, onde estive 14 anos a escrever sobre transportes, aviação, energia, entre outros temas. Fui também colaboradora do Jornal de Negócios e da agência Lusa. Juntamente com a Helena Geraldes e a Joana Bourgard, ajudei em 2015 a fundar a Wilder, onde finalmente me sinto como “peixe na água” e trabalho para um mundo melhor. Aqui escrevo sobre plantas, animais, espécies comuns e raras, descobertas científicas, projectos de conservação, políticas ambientais e pessoas apaixonadas por natureza. Aprendo e partilho algo novo todos os dias.